Orago - Senhor Jesus dos Navegantes Área - 6.9 Km2
Freguesia criada e a sede elevada a vila pelo Decreto
n.º 12783 de 09/12/1926,
desanexada da freguesia de Oeiras e São Julião da
Barra
Ordenação heráldica do brasão e bandeira
Segundo o parecer da Comissão de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses de 27/02/2002
Estabelecida em reunião de Assembleia de Freguesia, em 20/04/2002
Publicada no Diário da República n.º 110, 3.ª Série, Parte A de 13/05/2002
Registado na Direcção Geral de Autarquias Locais, com o n.º 117/2002, em 20/05/2002
Armas - Escudo de prata, âncora de vermelho, carregada de um coração de ouro no cruzamento do cepo, entre dois golfinhos de negro, realçados de ouro, afrontados e brocantes num mar ondeado de cinco faixetas, três de verde e duas de prata. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com a legenda a negro, em maiúsculas : “ VILA DE PAÇO DE ARCOS “.

Baseado no desenho original de João Ricardo Silva

Bandeira - Esquartelada Esquartelada de amarelo e vermelho, cordões e borlas de ouro e vermelho. Haste e lança de ouro.

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Transcrição do parecer
Parecer apresentado por Affonso de Dornellas à Comissão de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses e aprovado em sessão de 20 de Dezembro de 1935.
A Junta de Freguesia de Paço de Arcos solicitou da Associação dos Arqueólogos Portugueses que lhe fossem estudadas as suas armas, para poder ter o seu selo e a sua bandeira.
Esta antiga povoação foi elevada à categoria de Vila, em 9 de Dezembro de 1926, por decreto n.º 12783, em atenção ao seu importante desenvolvimento.
A principal importância desta Vila vem da sua bela praia balnear, considerada uma das melhores das proximidades de Lisboa.
O seu nome é devido ao mais antigo Palácio ali construído, que tem dois torreões, entre os quais está um terraço sustido na frente por três arcos.
O Mar forma, em frente de Paço d’Arcos, uma vasta enseada, o que torna a sua praia preferida por muitas famílias de Lisboa e de outros pontos próximos.
Foi em Paço d’Arcos que estabeleceu residência e constituiu família o célebre Patrão Joaquim Lopes, salvador dos náufragos da barra de Lisboa, que nasceu em Olhão em 1800. Em 1820 entrou como remador para a falua do Bugio e iniciou então uma vida heróica e notabilíssima, salvando tripulações inteiras de navios portugueses, ingleses, franceses e espanhóis, pelo que foi condecorado mais do que uma vez por cada um dos Governos respectivos.
Em 1866, foi-lhe dada por distinção a graduação de segundo Tenente de Marinha. Morreu com 90 anos, em Paço d’Arcos, em 1890, tendo feito nesta Vila toda a sua brilhantíssima carreira tendo criado uma verdadeira escola de heroicidade, pois teve muitos e bons discípulos, e ainda hoje os seus exemplos fazem dos pescadores de Paço d’Arcos, valentes lutadores do mar.
Vejamos, pois, com estes elementos, como devem ser ordenadas as armas, bandeira e selo de Paço de Arcos:
ARMAS – De prata com uma âncora de vermelho carregada por um coração de ouro no cruzamento do cepo e acompanhada por dois golfinhos de negro realçados de ouro, que se afrontam em contra chefe, assentes num mar ondado de cinco faixas, três de verde e duas de prata. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com os dizeres “Vila de Paço de Arcos” de negro. –
BANDEIRA – Esquartelada de amarelo e de vermelho. Cordões e borlas de ouro e de vermelho. Haste e lança douradas.
SELO – Circular, tendo ao centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres “Junta de Freguesia de Paço de Arcos”. –
Como os principais esmaltes das armas são o ouro e o vermelho, a bandeira é amarela (que corresponde ao ouro) e vermelha. Quando destinada a cortejos ou outras cerimónias, a bandeira é de seda e bordada, devendo medir um metro quadrado. Quando é para arvorar, é de filel e terá as dimensões julgadas necessárias, podendo neste caso dispensar as armas.
A prata indicada para o campo das armas, é o metal que na heráldica significa humildade e riqueza.
O vermelho da âncora simboliza vitórias, guerras, força, audácia e vida.
O ouro do coração e do realce dos golfinhos, é o metal que simboliza a terra e significa firmeza, obediência e honestidade.
O verde das faixas representativas do Mar, é o esmalte que significa fé e esperança.
A âncora, além de simbolizar a vida no mar, simboliza também a esperança com que os heróis de Paço de Arcos seguiam, com risco da própria vida, para salvar a dos outros. O coração de ouro simboliza este sentimento humanitário que tanto tem salientado os naturais desta Vila.
Os golfinhos, reis do mar, indicam a vida atribulada dos Pescadores.
O mar indica a importância da praia local.
E assim ficará bem simbolizada a história, a vida e a índole dos naturais de Paço de Arcos.
No caso da Junta de Freguesia de Paço de Arcos concordar com este parecer, deverá transcrever na acta a descrição das armas, bandeira e selo, para enviar ao Sr. Governador Civil uma cópia autenticada dessa acta, juntamente com os desenhos rigorosos da bandeira e do selo, pedindo-lhe para tudo remeter à Direcção Geral de Administração Política e Civil do Ministério do Interior, para, se o Sr. Ministro também concordar, ser publicada a respectiva portaria.
Sintra, Setembro de 1935.

Affonso de Dornellas.
(Texto adaptado à grafia actual)
Fonte: Processo da freguesia de Paço de Arcos (arquivo digital da AAP, acervo “Fundo Comissão de Heráldica”, código referência PT/AAP/CH/OER/FRG/UI0019/00199)

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