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Ordenação heráldica do brasão e bandeira

Segundo o parecer da Secção de Heráldica e genealogia da Associação dos Arqueólogos Portugueses de 06/04/1932
Estabelecida pela Comissão Administrativa Municipal em 11/07/1932
Aprovado pelo Ministro do Interior em 16/01/1933
Portaria n.º 7507, do Ministério do Interior,
publicada no Diário do Governo n.º 13, 1.ª Série de 16/01/1933

Armas - De azul, com um monte de três cômoros de ouro realçados de negro cortados por três faixas de azul e prata. Em chefe, uma estrela de cinco raios de prata acompanhada de duas rodas de ouro de engenho de água, afrontadas a três quartos. Coroa mural de quatro torres de prata.

Brasão do Município de Manteigas - Manteigas municipal coat-of-arms

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Bandeira - Amarela e negra, medindo 1 metro quadrado. Cordões e borlas de ouro e negro. Listel branco com letras pretas. Lança e haste de ouro.

Bandeira e estandarte do Município de Manteigas - Manteigas municipal flag and banner

Bandeira (2x3)      Estandarte (1X1)

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Transcrição do parecer

Parecer apresentado por Affonso de Dornellas á Secção de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses e aprovado em 6 de Abril de 1932.

Pela Câmara Municipal de Manteigas, datado de 22 de Abril de 1931 e com o nº251, foi dirigido a Associação dos Arqueólogos Portugueses, o seguinte ofício: -

- Desejando esta Comissão Administrativa adoptar o brasão de Armas, bandeira e selo que lhe competirem, tomo a liberdade de pedir V. Exª. o seu valiosíssimo parecer acerca do assunto, acompanhado da respectiva explicação -

Sob o ponto de vista histórico, são escassos os elementos do nosso conhecimento, envoltos estes ainda em numerosas lendas.

Parece existir esta vila já antes da ocupação romana, tendo sido sede dum emirado, no período da dominação árabe, com o que se relaciona com a conhecida lenda de Alfatema.

Desconhece-se o seu nome primitivo, atribuindo-se o actual ás excelentes manteigas que cá se fabricavam.

Teve foral de D. Sancho I em 1188 e, em 4 de março de 1514, novo foral de D. Manuel I.

Diz a tradição, confirmada por nomes de lugares (Campo Romão ou Romano, Fraga da Batalha, etc.) que os seus moradores partilharam nas lutas dos povos do Herminio contra os romanos e que, em1187, bateram, no sítio da Malhada Castelhana, uma coluna do pais vizinho, que fugia da derrota que lhes tinham infligido os habitantes de Celorico e Linhares.

Há referências a um templo dedicado a Lucifer (Estrela de Alva) e a uma lápide comemorativa da passagem de Júlio César, a qual se encontramos alicerces da Igreja de Santa Maria.

Consta também que, por ocasião da terceira invasão, fora corrida com penedos despenhados da serra pelos seus moradores, uma coluna francesa e que, em fevereiro de 1847, por ocasião da guerra dos Patuleias, tivera por aqui lugar uma hábil manobra de retirada do General Póvoas.

Existe, nas bandeiras do Município, usadas até hoje, uma medalha e respectivo colar, supondo-se ser uma condecoração conferida ao município, possivelmente por ocasião das lutas liberais, em que numerosos filhos de Manteigas tomaram o partido de D. Pedro IV.

Os factos económicos e as razões de riqueza local são derivados, principalmente, de circunstâncias hidrográficas e orográficas, sendo este concelho constituído pela parte inicial da bacia do Zêzere e abrangendo as maiores culminâncias da Serra da Estrela, com os seus três Cântaros, tão conhecidos no nosso país.

Dessas circunstâncias derivam os seguintes factos:

1º- A aptidão sob o ponto de vista industrial, derivada das suas numerosas quedas de água, hoje aplicadas á indústria de lanifícios e, no futuro, talvez, a aproveitamentos hidroelétricos, havendo já um estudo para a utilização de 13.000 HP., e as indústrias derivadas do aproveitamento das madeiras e da celulose (serração, destilação, carbonização, tecido de papel, etc.).

2º- A extensa arborização das encostas, feita pelo Estado, no sentido de regularizar a bacia hidrográfica do Zêzere e proteger o porto de Lisboa.

3º- Uma agricultura razoável, com predominância da produção cerealífera, vinícola e de castanha, e uma população pecuária, principalmente bovina e caprina, com a indústria derivada de lacticínios.

4º- A aptidão sob o ponto de vista terapêutico, derivada das suas Caldas sulfúreas e fluoretadas e das altitudes, onde já existem casas de saúde com fim sanatorial.

5º- A exigente turística, derivada da existência neste concelho, situado mesmo no centro da Serra, dos pontos interessantes, como sejam os Cântaros, a Torre, o Fragão do Corvo, as Cascatas do Poço do Inferno, Candieira, Alto Zêzere, etc., como Lagoas da Paixão, Clareza, Cântaro, Propaganda e Salgadeiras e muitos outros lugares.

Eis os elementos que me são propostos, para maior facilidade na organização do solicitado parecer.

Agradecendo desde já, muito reconhecidamente, desejo, com a maior consideração, a V. Exª. - SAÚDE E FRATERNIDADE.

Manteigas, 22 de Abril de 1931

O Presidente da Comissão Administrativa (a) Luiz Leitão Cravino.

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Pelos forais indicaram se vê que é antiquíssima é esta Vila, vendo-se pela descrição acima que a mesma Vila já existia na ocasião da concessão do primeiro foral.

Banhada pelo Zêzere com importantes quedas de água, a região dominada pela Vila de Manteigas privilegiada pela riqueza local das suas indústrias movidas pela força do mesmo rio, pela riqueza de arvoredos, de agricultura, em gado ovino e caprino, lacticínios, águas sulfurosas, pontos de turismo, grande altitude com esplêndido ar, enfim, pela riqueza de elementos naturais, que os seus habitantes tem aprovados com desenvolvimento industriais e outros ramos de actividades.

Teve, evidentemente, o seu selo mas, não apareceu até hoje qualquer noticia, o que obriga a procurar-se representar a actividade e os valores locais num novo selo desta importante Vila da Serra da Estrela, que sirva para a constituição das suas Armas e da sua bandeira.

Parece-me pois, que a organização das Armas da Vila de Manteigas deve ter a seguinte ordenação:

- De azul, com um monte de três cômoros de ouro realçados de negro cortados por três faxas de azul e prata. - Em chefe, uma estrela de cinco raios de prata acompanhada de duas rodas de ouro de engenho de água, afrontadas a três quartos. - Coroa mural de quatro torres de prata. - Bandeira amarela e negra. - Cordões e borlas de ouro e negro. - Listel branco com letras pretas. - Lança e haste de ouro.

A bandeira deve ter um metro quadrado.

O azul na heráldica, representa o ar e significa caridade, caracterizando assim o esplêndido ar das altitudes da Serra da Estrela onde há Sanatórios para os doentes que necessitam recursos daquela natureza.

O ouro que esmalta o monte de três cômoros significa a grande riqueza dos domínios da Vila de Manteigas, representando este metal, a fé o poder e a liberalidade características interessantes dos naturais daquelas paragens.

O negro que realça estes montes, significa firmeza e honestidade.

Heraldicamente o negro corresponde a representação da terra, do valor local, da energia dos naturais para, no seu aproveitamento, colherem os frutos para o seu sustento.

As rodas de engenho são de ouro por este metal simbolizar a riqueza, pois com os engenhos se tem mantido as principais indústrias locais, aproveitando os mananciais de água que tanta importância dão á região.

A estrela de prata caracteriza a Serra do mesmo nome. onde assenta a Vila de Manteigas.

Os rios, na heráldica, são representados por faxas de azul e de prata, e o Rio Zêzere bem merece ser ali representado.

Como as peças representativas da actividade local são de ouro. e de negro, a bandeira é amarela e preta.

As Vilas tem as suas armas encimadas por uma coroa mural de quatro torres, conforme determina o estabelecido pelo Ministério do Interior.

Como existe ouro na composição das Armas, a lança e a haste são do mesmo metal.

O selo será circular, incluindo a representação das peças das Armas, sem indicação dos esmaltes, circundado pelos dizeres "Vila de Manteigas".

E assim, está este parecer formulado segundo as regras estabelecidas pelo Ministério do Interior.

No estandarte antigo que é de vulgar damasco, do geralmente usado nas ornamentações das igrejas, existem as Armas Nacionais cercadas por um ornato no qual parece estar representada uma condecoração. Pelo que li sobre Manteigas, não vejo confirmada esta condecoração; portanto sou de parecer que ela não seja incluída na composição da nova bandeira, enquanto não aparecer a documentação da sua existência.

(a) Affonso de Dornellas.

(Texto adaptado à grafia actual)

Fonte: Processo do Município de Manteigas (arquivo digital da AAP, acervo “Fundo Comissão de Heráldica”, código referência PT/AAP/CH/MTG/UI0016/00156).

Ligação para a página oficial do município de Manteigas

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