Feriado Municipal - 3 de Julho Área - 448 Km2

Elevação da sede do município à categoria de cidade pelo Lei n.º 28/86 de 23/08/1986

Freguesias - Civil parishes

Alvoco da SerraCarragozela e Várzea de Meruge GirabolhosLorigaParanhos da Beira PinhançosSabugueiroSameice e Santa Eulália SandomilSanta CombaSanta Marinha e São MartinhoSantiagoSazes da BeiraSeia, São Romão e Lapa dos DinheirosTeixeiraTorrozelo e FolhadosaTourais e LajesTravancinhaValezimVila Cova à CoelheiraVide e Cabeça

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Terceira ordenação heráldica do brasão e bandeira

Segundo o parecer da Comissão de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses de 30/08/2002
Ainda não foi publicada no Diário da República, conforme o
Capitulo 1, Artigo 4º, 2 e 3, da Lei n.º 53/91 de 7 de Agosto, estando assim a legalização incompleta.

A Câmara Municipal não publicou o texto do parecer da C.H.A.A.P. em Diário da República, como a Lei exige, sendo um dos poucos munícipios em Portugal a não ter os seus símbolos devidamente legalizados.

Armas - Escudo de ouro, torre torreada de vermelho, aberta de negro, acompanhada de dois carrascos arrancados, de verde; Em chefe, uma estrela de seis pontas de azul. Coroa mural de prata de cinco torres. Listel branco, com a legenda a negro: "SEIA".

Brasão do Município de Seia - Seia municipal coat-of-arms

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Bandeira - Gironada de oito peças de amarelo e azul. Cordão e borlas de ouro e azul. Haste e lança de ouro.

Bandeira e estandarte do Município de Seia - Seia municipal flag and banner

Acima, a bandeira e estandarte de acordo com o texto.
Em baixo, a bandeira e estandarte (versão incorrecta) (ver explicação)

Bandeira e estandarte do Município de Seia - Seia municipal flag and banner

Bandeira (2x3)      Estandarte (1X1)

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Segunda ordenação heráldica do brasão e bandeira

Segundo o parecer da Comissão de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses de 07/05/1935
Nunca foi publicada em Diário do Governo ou Diário da República

Armas - De ouro, com uma torre torreada de vermelho, aberta e iluminada de negro, acompanhada de dois carrascos de verde, arrancados do mesmo. Em chefe, uma estrela de azul. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com os dizeres "Vila de Cêa" a negro.

Brasão do Município de Seia - Seia municipal coat-of-arms

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Bandeira - Esquartelada de vermelho e azul. Cordões e borlas dos mesmos esmaltes. Haste e lança douradas.

Bandeira e estandarte do Município de Seia - Seia municipal flag and banner

Bandeira (2x3)      Estandarte (1X1)

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Transcrição do parecer

Parecer apresentado por Affonso de Dornellas à Comissão de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses e aprovado em sessão de 7 de Maio de 1935.

Em sessão de 21 de Novembro de 1928 foi pela Secção de Heráldica da Associação dos Arqueológos Portugueses, aprovado o parecer referente às Armas e bandeira da Vila de Ceia, não havendo, portanto, agora, mais do que descrever essas armas e bandeira, conforme as regras estabelecidas pela Direcção Geral de Administração Política do Ministério do Interior e, em conformidade com as mesmas, descrever a constituição do selo.

É oportuna a ocasião de dizer alguma coisa sobre o desejo manifestado em ofício, pela Câmara Municipal de Ceia, sobre a origem do nome da Vila.

Não possuímos elementos para concorrer para o estabelecimento da etimologia dessa palavra mas, podemos dizer que no Foral de D. Afonso Henriques, dado a Ceia, vem escrito "Senam" e "Sena", conforme nos diz Santa Rosa de Viterbo no seu Elucidário, a pag. 123, 130 e a 76 do 1º Volume, declarando este autor, a pgs.10 do 22 Volume da mesma obra, que os mais antigos documentos portugueses chamam "Sena" a Cêa.

No ofício referido, a Câmara Municipal diz que no foral de D. Manuel I, se diz Cêa, como aliás há séculos assim se escreve.

Vejamos pois como são as armas, bandeira e selo de Cêa, em conformidade com as regras oficiais e tal como foram aprovadas em 21. De Novembro de 1928:

ARMAS - De ouro, com uma torre torreada de vermelho, aberta e iluminada de negro, acompanhada de dois carrascos de verde, arrancados do mesmo. Em chefe, uma estrela de azul. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com os dizeres "Vila de Cêa" a negro. -

BANDEIRA - Esquartelada de vermelho e azul. Cordões e borlas dos mesmos esmaltes. Haste e lança douradas. -

SELO - Circular, tendo ao centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres "Câmara Municipal de Cêa". -

Quando a bandeira seja destinada a cortejos e cerimónias, tem um metro quadrado de área, é de seda e bordada.

Se a Câmara Municipal da Vila de Cêa concordar com este parecer, deverá transcrever na respectiva acta a descrição das armas, bandeira e selo, enviando uma cópia autenticada com desenhos rigorosos da bandeira e selo, ao Sr. Governador Civil, pedindo-lhe para enviar todos esses elementos à Direcção Geral de Administração Política e Civil do Ministério do Interior, para, se o Sr. Ministro aprovar, ser publicada a respectiva portaria.

Lisboa, Abril de 1935.

adornellas

Affonso de Dornellas.

(Texto adaptado à grafia actual)

Fonte: Processo do Município de Seia (arquivo digital da AAP, acervo “Fundo Comissão de Heráldica”, código referência PT/AAP/SEI/UI0016/00160).

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Primeira ordenação heráldica do brasão e bandeira

Segundo o parecer da Secção de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses de 21/11/1928
Nunca foi publicada em Diário do Governo ou Diário da República

Armas - De ouro com uma torre torreada de vermelho, aberta e iluminada de negro, acompanhada de dois carrascos de verde arrancados do mesmo. Em chefe uma estrela azul. Coroa mural de prata de quatro torres.

Brasão do Município de Seia - Seia municipal coat-of-arms

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Bandeira - Bandeira de um metro quadrado, esquartelada de vermelho e de azul, com uma fita branca com os dizeres «Vila de Ceia» a preto. - Cordões e borlas de vermelho e azul. Haste e lança de ouro.

Bandeira e estandarte do Município de Seia - Seia municipal flag and banner

Bandeira (2x3)      Estandarte (1X1)

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Transcrição do parecer

Parecer apresentado por Affonso de Dornellas á Secção de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses e aprovado em sessão de 21 de Novembro de 1928.

Desejando a Administração do Concelho de Ceia saber como devem ser, heráldica e rigorosamente desenhadas as peças das Armas Municipais da mesma Vila, visto haver vários exemplares de diferentes épocas, dirigiu á Associação dos Arqueólogos o seguinte ofício: -

- Administração do Concelho de Ceia - 5 de Julho de 1928 - Ex.mo Sr. Presidente da Associação dos Arqueólogos. Lisboa – Envio a V. Ex.ª uma cópia duma acta da Câmara Municipal desta Vila, de 1855. na qual se trata do seu Brasão de Armas. Em 31 de Outubro do dito ano, tendo a Câmara recebido um ofício do Vereador da Câmara Municipal de Lisboa, Senhor Ayres do Sá Nogueira, que fora encarregado de colecionar todos os brasões de armas do País, a Vereação respondeu como consta da acta junta. As armas a que ela se refere, como sendo as mais antigas, e que existiam na antiga ponte do Terreiro da Misericórdia. encontram-se hoje em poder do Sr. António Ribeiro Luiz, e no dito Largo existem apenas as do, naquela data, moderno chafariz. Ainda existem as do chafariz do Terreiro da Feira. ou antes Largo das Obras, mais simples do que as da Fonte das Quatro Bicas, nome popular dado ao chafariz. Parece-me não errar. dizendo que a Fonte das Obras é da mesma data do Palácio, pois tanto este como aquela, são de estilo pombalino. A torre das Armas tem a forma de uma torre de Igreja. A pedra com as Armas de Ceia, que se encontra em poder do Senhor António Ribeiro Luiz, foi do Largo da Misericórdia transportada para a Fonte das Cales, depois quando feita foi a estrada de Ceia a Loriga, a fonte foi colocada noutro local tendo sido substituídas as armas de granito por umas de pedra-mármore. Desta Fonte existem postas num curral, duas esferas armilares e uma coroa de Conde, por Ceia ter sido condado desde Pedro de Ceia. Estas armas devem, pelos motivos que ornamentam a Fonte, ser manuelinas. São portanto as mais antigas da vila e talvez que, salvo melhor opinião, devessem constar do estandarte municipal, embora não seja essa a regra, pelo que a douta, Associação ensina. porque Ceia teve um Castelo de fama. Quem á primeira vista reparar em tais brasões de Armas, confundirá os carvalhos com ramos de carvalho, mas quem as mandou fazer foi tão minucioso que até mandou gravar as raízes. O que levou a vereação de então a substituir as antigas armas de granito por umas de mármore foi que. quando ainda estavam no antigo chafariz do Terreiro da Misericórdia foram atingidas por sete zagalotes alguns dos quais atravessaram um braço do Dr. Abel da Mota Veiga, tendo-as danificado bastante, depois quando foram mudadas para a Fonte das Cales sofreram novos estragos, pelo que, resolveram não as aproveitar no que fizeram mal, pois só por acaso ainda hoje existem. Todos estes dados são com o fim de que a Coletividade de que V. Ex.ª é ilustre Presidente se pronuncie sobre o Brasão das Armas desta vila. A Vila.de Valejam possui uma história interessante e ainda conserva o seu Pelourinho, nele se encontra como escudo o centro do escudo nacional, invertido. Será o Brasão de Armas daquela vila? No meu anterior ofício pedia o Brasão de Armas da Vila da Cabeça. Tenho em meu poder um documento que dá azo a duvidar-se da autenticidade desta Vila. pois que nele se denomina Casal da Cabeça: É uma certidão do processo de desanexação do Casal da Cabeça da Matriz de Loriga em virtude de resolução de Sua Alteza Real de 13 de Janeíro de 1800. Mas se teve concelho, ele foi de efémera duração. Saúde e Fraternidade. O Administrador do Concelho (a) António Dias.

Junto a este ofício veio uma cópia da acta existente a folhas 72, do Livro referente a 1853-1858, que passo a transcrever:

- Acta da Sessão da Câmara Municipal do Concelho de Ceia, de 31 de Outubro de 1855. - Acordou que não era possível dar uma noticia histórica exacta do Brasão das Armas deste Município, por lhe faltarem os Livros e Documentos antigos, que se descaminhararn por ocasião da invasão Francesa a; - Tendo porém a Câmara coligido informações de pessoas competentes, há a antiquíssima e sempre constante tradição: - Que esta Vila de Ceia tem por brasão de Armas - Uma torre branca, no meio de dois carvalhos. em campo azul; -e por timbre - Uma estrela, posta em uma ameia, no cimo da mesma torre. - Destas armas se usava no Estandarte, e em edifícios públicos; - e ainda hoje se encontram no antiquíssimo frontispício de uma fonte no Terreiro da Misericórdia, e no Chafariz do Terreiro da Feira; - tendo-se ultimamente também posto as mesmas armas no moderno chafariz, que se fez no mencionado terreiro da Misericórdia. – É de crer que estas Armas fossem concedidas á Vila de Ceia pelos feitos de armas de seus habitantes. e pela consideração, em que era tida, quando acastelada e forte; como é constante o fora ainda muito antes da Monarquia conservando ainda hoje parte da Vila o nome de Castelo, e outra o de Sumuro ou Sub-muro, e onde os Mouros se julgavam mais fortes e seguros, quando ocuparam a Serra da Estrela, por ser a fortaleza de maior consideração, nestes sítios, por aqueles tempos;-o que evidentemente se colige do primeiro Foral dado a Ceia em 1136 pelo Senhor D. Affonso Henriques (sendo ainda Infante). no qual se lhe concedem grandes privilégios, que são uma prova do que esta Vila lhe foi aceite, e que os mereceu pelos seus serviços ou de seus habitantes. na guerra, que eram sempre os principais motivos da concessão de tais privilégios; - e não menos se prova por ter tido Alcaides Mores, que só os havia em terras acasteladas; - e pelo que referem vários Autores, entre os quais o nosso Coevo e erudito historiador, o Sr. Alexandre Herculano, na sua história de Portugal, impressa em 1846, Tom. 1.º, pág. 302 e 461, que diz a pág. 302, = que Bermudo Peres, irmão do Conde Fernando, e Cunhado de Afonso Henriques obtiveram. durante o predomínio de seu irmão, o governo de Viseu. . . e que o Castelo de Seia estava debaixo do seu domínio... etc. Os privilégios foram depois aumentados á Vila de Ceia pelo Foral dado pelo Sr. D. Sancho I., sendo este e o acima mencionado. a fonte do moderno, da reforma de Fernão de Pina, por ordem de El-Rei o Sr. D. Manuel; e este moderno Foral (1º de Junho de 1510) ainda existe no Arquivo deste Município. - Tendo pois esta Vila merecido a estima e consideração dos Soberanos, é de presumir que por aqueles tempos lhe fossem dadas as sobreditas armas;-e que a Estrela do timbre fosse em razão de estar esta Vila situada no-Monte Herminio-, que passou a chamar-se-Serra da Estrela -

Esta acta foi despertada pela circular que a Câmara Municipal de Lisboa em 1855 enviou a todas as Câmaras do País, com a ideia de organizar uma obra sobre a heráldica portuguesa de domínio.

Não se chegou a publicar a obra, mas conservaram-se os elementos no arquivo respectivo, o qual me tem servido para os diferentes estudos que lenho feito a pedido das Câmaras Municipais.

Sobre Ceia, lá fui encontrar o seguinte:

- Camara Municipal de Ceia – Nº 135- Ill.mo e Ex.mo Snr. - Fiz presente á Camara Municipal d'este Concelho o oficio que V. Ex.ª se dignou dirigir-me na carta de 25 de Setembro ultimo, e recebido em 16 do corrente, no qual V. Ex.ª, participando achar-se encarregado da Collecção das Armas de todos os Municípios d'este Reino, pede que esta Camara lhe ministre todas as noticias que houver sobre o Brazão das Armas desta Villa de Ceia: Em resposta cabe-me a honra de levar ás mãos de V. Ex.ª a inclusa copia da parte da acta da Sessão d'esta Camara da carta d'hoje, em que se tratou deste objecto, e na qual V. Ex.ª encontrará a noticia de informações, que foi possível colligir a tal respeito.-Deus guarde a V. Ex.ª. Ceia 31 de Outubro de 1855 Ill.mo e Ex.mo Snr. Ayres de Sá Nogueira. - Dg.mo Vereador da Camara Municipal de Lisboa. – O Presidente. José Soares da Costa Freire.

Depois segue-se a cópia da acta que principia assim:

- Acta da Sessão da Camara Municipal de Ceia de 31 de Outubro de 1855. -Nesta data pelo Presidente foi apresentado e lido um oficio do Ex.mo Sr. Ayres de Sá Nogueira. Vereador da Ex.ma Camara Municipal de Lisboa com carta de 25 de Setembro ultimo, e recebido em 16 do corrente, no qual, participando achar-se encarregado por a mesma Ex. ma Camara da Collecção da Armas de todos os Municipios tanto do Continente do Reino, como de todas as nossas Províncias ultramarinas, pede a esta Camara lhe ministre de um modo :authentico o Brazão genuino das Armas, de que esta Camara de Ceia usa, acompanhado da sua historia authentica ; e quando ella se não possa pôr d'este modo, nesse caso qual a sua tradicção corrente: A Camara, tomando na devida consideração o exposto no dito officio accordou que não era possivel pôr urna noticia historica exacta do Brazão das Armas d'este Municipio … etc., etc.

Segue-se exactamente o que acima transcrevi e que acompanhou o ofício do Sr. Administrador do Concelho de Ceia.

Na cópia existente na Câmara Municipal de Lisboa, vem o fecho da copia da acta nos seguintes termos:

- (Assinados) Costa Presidente. - Cardozo. - Pina. - Ferreira. - Brito.- Confere. Secretaria da Camara Municipal de Ceia, 31 de Outubro de 1855. O Escrivão da Camara. (a) Francisco Roque da Silva.

Infelizmente não existe referência ás Armas de Ceia, nas obras antigas que tratam de Heráldica de Domínio e digo infelizmente, pelo facto de serem umas armas tão antigas e terem escapado aos estudiosos do assunto.

Ainda bem que existe a pedra que de longa data tem esculpidas as Armas em questão, que esteve no antigo chafariz do Largo da Misericórdia e que nos vem mostrar como era tratada a heráldica na antiguidade.

É curioso como os amadores de heráldica acham sempre necessidade de modificar as peças que constituem as armas antigas.

Vê-se pela pedra existente, a tal que pertenceu ao chafariz do Largo da Misericórdia que as Armas de Ceia eram assim constituídas: - Uma torre torreada acompanhada de dois carrascos arrancados. Em chefe uma estrela de 6 pontas.

Pois estas armas tão significativas para a velhíssima história de Ceia e tão primorosamente ordenadas segundo as regras da heráldica, foram modificadas em todas as suas peças, trastornando, essas modificações, a significação das mesmas armas.

Agora, as armas que Ceia tem usado, são:-Uma torre sobre um terrado, acompanhada de duas arvores saintes do mesmo terrado. Em chefe, uma estrela de cinco pontas.

A pessoa que presidiu a esta modificação das Armas antigas de Ceia, ficou com certeza radiante com a ideia de substituir uma torre torreada por uma simples torre e de substituir os carrascos arrancados por duas árvores plantadas.

Na estrela também achou que havia pontas a mais e tirou-lhe uma.

Depois, quando foi necessário escolher as cores para estas armas deram-lhe o campo azul, a torre e a estrela de prata, e as árvores de verde.

Naturalmente escolheram o campo azul e a torre e a estrela de prata por causa do constitucionalismo. Foi moda mudar ou adoptar as cores das Armas municipais para as cores da Bandeira Nacional, chegando essa moda também a atingir monumentos e tudo enfim que tinha de ser pintado de qualquer cor.

É isto um costume muito vulgar, sendo interessante citar por exemplo a Porca de Murça, que tem mudado de cor sempre que se modifica a orientação política do País.

Os esmaltes heráldicos têm tanta significação como as peças que compõem as armas, devendo obedecer principalmente á história local, quando se trata de Armas de domínio, e obedecer á estética.

Ora os esmaltes das Armas actuais de Ceia, não obedecem ao significado histórico do que representam, nem á estética, pois umas árvores verdes em campo azul, tem de ser sempre um conjunto pavoroso.

O figurarem umas árvores nascentes de um terrado, está muito bem, quando se queira dizer que existem importantes matas ou pomares na região que as armas caracterizam.

Representar árvores ou plantas arrancadas, é certamente com o intuito de indicar um facto histórico ou enfim de grande importância local.

Quando uma povoação além de ter o seu. castelo, é ainda cercada de muralhas, a representação desta circunstância nas armas, é feita por um castelo.

Quando apenas existe ou existiu um castelo e a povoação não era cercada de muralhas, a representação deste facto nas armas faz-se por uma torre.

Quando a história guerreira desse castelo, teve uma grande importância, essa torre é torreada, ou seja, duas torres, sendo uma de maiores dimensões arrematada por outra de menores dimensões.

Enfim, como os costumes é que fazem as leis, na heráldica, seguindo o mesmo princípio, temos de considerar como costume, ou por outra, corno base para as suas leis, a heráldica antiga.

É raro encontrar na heráldica antiga, um motivo de censura. Está sempre tudo no seu lugar e todas as peças estão optimamente representadas e definidas.

Ceia teve um castelo afamado, de remota construção. Teve guerras e lutas. Nas suas armas antigas, está uma torre torreada. Portanto, está muito bem.

Diz-se que Viriato era de Ceia, ou que, pelo menos viveu, por aquelas paragens e que derrotou por ali os Romanos. Enfim, não seria necessário este facto para que nas suas armas figurasse a representação da força com sacrifício, porque Ceia foi teatro de tremendas lutas e então nas suas armas há acompanhando a torre, dois carrascos arrancados. Os carrascos representam a força com sacrifício.

Ceia até tem nas suas armas representada a sua situação na Serra da Estrela, é a estrela que se vê em chefe.

Conhecidas as peças heráldicas que compõem as Armas Ceia, é conhecida a razão da existência dessas peças. Resta-nos estudar os esmaltes relativos ao valor das mesmas peças.

Para isso vejamos um pouco mais da história de Ceia:

O primeiro foral dado a Ceia, é datado de Maio de 1136 e confirmado em Coimbra em Dezembro de 1217.

Foi este foral publicado a páginas 24 da -Parte II do Tomo VIII das «MEMORIAS DA ACADEMIA". O original existe no Maço 12 dos Foraes Antigos, sob n.º 3, folhas II, coluna 1ª. e a folhas 30 da coluna 2.ª do Livro dos Foraes Antigos de Leitura Nova, existentes na Torre do Tombo.

Teve Ceia o seu Foral novo dado por D. Manuel I em 1 de Junho de 1510, o qual também foi publicado nas «Memorias da Academia" a paginas 29 do volume citado e está registado na Torre do Tombo a folhas 15 verso do Livro dos Fores Novos da Beira.

Além de outras civilizações, pertenceu Ceia por vezes a Árabes e a Cristãos até que D. Afonso Henriques lhe tomou o Castelo, não a Árabes, mas a Cristãos que a tinham por Castela.

A sua brilhante história é portanto muito anterior á fundação da nacionalidade, entrando nos domínios de D. Afonso Henriques por conquista. Entendemos portanto que as suas armas devem ser assim esmaltadas:

O campo deve ser ouro, porque este metal em heráldica significa nobreza, constância e poder.

A Torre torreada deve ser vermelha por este esmalte significar vitória, ardis e guerras. Esta Torre torreada deve ser iluminada e aberta de negro porque este esmalte significa firmeza e obediência.

Os carrascos devem ser de sua cor, verdes, por este esmalte significar fé, que é a principal base da força.

A estrela que indica a situação da Vila, deve ser azul, por este esmalte corresponder em heráldica ao ar e significar lealdade.

As coroas nobiliárquicas são para as pessoas e representam a categoria do chefe da Família; são um atributo da heráldica de família.

As Armas Municipais não podem ter relação com as Armas de Família, são Armas de Domínio e como tal têm o seu emblema especial correspondente á sua alegoria. As cidades tem uma coroa mural de cinco torres, as Villas de quatro torres e as povoações de três.

Também as cores das bandeiras municipais tem sido escolhidas ao acaso, quando afinal devem corresponder aos esmaltes da peça ou das peças principais das armas, atendendo porém a que nunca devem ter as cores de estandarte nacional, pois essas são, no seu conjunto, privativas do poder central.

Vejamos portanto como propomos que devem ser usadas as Armas da Vila de Ceia:

- De ouro com uma torre torreada de vermelho, aberta e iluminada de negro, acompanhada de dois carrascos de verde arrancados do mesmo. Em chefe uma estrela azul. Coroa mural de prata de quatro torres.

Bandeira de um metro quadrado, esquartelada de vermelho e de azul, com uma fita branca com os dizeres «Vila de Ceia» a preto. - Cordões e borlas de vermelho e azul. Haste e lança de ouro.

[Affonso de Dornellas).

(Texto adaptado à grafia actual)

Fonte: DORNELLAS, Affonso de, «Ceia», in Elucidário Nobiliarchico: Revista de História e de Arte, II Volume, Número II, Lisboa, Fevereiro 1929, pp. 47-50.

Ligação para a página oficial do município de Seia

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