Feriado Municipal - 3 de Maio Área - 378.70 Km2
Elevação da sede do município à categoria de cidade pelo Decreto n.º 15929 de 06/09/1928
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Terceira ordenação heráldica do brasão e bandeira
Segundo o
parecer da Comissão de Heráldica da Associação dos Arqueólogos
Portugueses de 18/10/1999
Estabelecida em reunião de Assembleia Municipal, em
30/04/2003
Publicada no Diário da República n.º 241, 3.ª Série, Parte A
de 17/10/2003
Armas - Escudo de azul, ponte de ouro ameiada na guarda e formada de cinco arcos saíntes de um contra-chefe ondado de prata e azul de cinco tiras, acompanhada à dextra por uma torre quadrada e torreada, de prata, aberta e frestada de vermelho e, à sinistra, por uma árvore de verde, saínte duma arca de prata e uma ermida com sua torre sineira do mesmo, aberta de vermelho; a ponte encimada por três torres quadradas e cobertas, de ouro, iluminadas de vermelho e saíntes de um terrado de ouro; em chefe, as armas da Casa de Bragança entre dois escudetes de prata, carregados cada um de cinco escudinhos de azul, em cruz, cada escudinho com cinco besantes de prata. Coroa mural de prata de cinco torres. Listel branco com os dizeres a negro: " BARCELOS ".


Bandeira - Gironada de oito peças de amarelo e vermelho, cordões e borlas de ouro e vermelho. Haste e lança de ouro.

Acima, a bandeira e estandarte de
acordo com o texto da descrição que foi publicada (versão
correcta).
Em baixo, a
bandeira e estandarte (versão incorrecta) (ver
explicação)

*Informação gentilmente cedida pela Câmara Municipal de Barcelos

Segunda ordenação heráldica do brasão e bandeira
Segundo o parecer da Secção de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses de 21/11/1928
Armas - De azul com uma ponte de ouro ameada na guarda e formada de cinco arcos saintes de um contrachefe ondado de prata e de azul, acompanhada por uma torre quadrada e torreada de prata, aberta e iluminada de vermelho e por uma árvore de verde sainte de uma arca de prata e uma ermida com sua sineira do mesmo, aberta de vermelho. A ponte é encimada por três torres quadradas e cobertas de ouro, iluminadas de vermelho e saintes de um terrado também de ouro. Em chefe as Armas da Casa de Bragança acompanhadas por dois escudetes das quinas de Portugal.. Coroa mural de prata de cinco torres. Listel branco com os dizeres a negro: " CIDADE DE BARCELOS ".


Bandeira - Quarteada de amarelo e vermelho, cordões e borlas de ouro e vermelho. Haste e lança de ouro.

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Transcrição do parecer
Parecer apresentado por Affonso de Dornellas à Secção de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses e aprovado em sessão de 21 de Novembro de 1928.
A pedido da Comissão Executiva da Câmara Municipal da Vila de Barcelos, foram estudadas as suas armas, selo e estandarte, e aprovado o respectivo parecer pela Secção de Heráldica da Associação dos Arqueólogos em sua sessão de 28 de Maio de 1924. Agora, como esta Vila fosse elevada a categoria de cidade, recebeu a Associação dos Arqueólogos a seguinte carta:
"Ex.mo Sr. Presidente da "Secção de Heráldica e Genealogia da Associação dos Arqueólogos Portugueses". Cumprindo as indicações do Parecer, aprovado em vossa sessão de 28 de maio de 1924, a câmara Municipal de Barcelos mandou adoptar como seu selo acertado às armas brasonadas nesse Parecer e fazer a sua bandeira municipal. - Essa bandeira é branca, quadrada, ostentando no centro o escudo com um listel com letras de negro. Barcelos foi recentemente elevada à categoria de cidade; aventei a opinião de ser necessário modificar a bandeira, tornando-a citadina, aproveitando-se a oportunidade para encimar o escudo da coroa mural, visto que à data do Parecer ainda não estava determinada a adopção de coroas murais nas armas de domínio. - A Câmara encarregou-me da modificação da bandeira, aliás feita em tempo sob minhas indicações. - Cumpro o dever de consultar V. Exª sobre a viabilidade da minha opinião. O brasão (selo) de Barcelos é: "de azul; uma ponte de prata de cinco arcos e com sete ameias na guarda, sainte dum contrachefe aguado do mesmo e do campo; a ponte é acompanhada à dextra por uma torre de prata quadrada torreada e à sinistra por uma árvore de sua cor plantada numa arca do primeiro e por uma ermida do mesmo com sua sineira, e é encimada por três torres quadradas do mesmo cobertas e assentes num terrado de sua cor; em chefe alinhados um escudete de Bragança dos duques acompanhado por dois de Portugal antigo". Parece-me que neste brasonado as peças principais serão: - a torre, ponte e ermida de prata, a árvore de sua cor, isto é de verde. E assim a bandeira citadina de Barcelos, deverá ser: quarteada de branco e de verde; no centro o selo municipal em escudo encimado por coroa mural de prata de cinco torres; listel de branco com letras de negro. - Aguardo as indicações de V.as Exas para as quais peço a possível brevidade, pois há o maior empenho em modificar a bandeira. - De V. Exª - muito atencioso (a) José de Mancelos Sampaio, correspondente da Associação dos Arqueólogos Portugueses. - Barcelos 30 de Setembro de 1928 -
Com o desenvolvimento que tem tomado o estudo da heráldica de domínio, há hoje bastantes detalhes definidos que há anos, quando se iniciaram tais estudos na Secção de Heráldica, passavam absolutamente em claro.
É portanto a ocasião oportuna para regular o assunto com referência ao Estandarte de Barcelos.
Já adoptados por muitas cidades e vilas, há elementos que enriquecem a estética dos estandartes de domínio e normalizam várias representações, como seja a indicação dos rio por faxas ondadas de prata e azul e o mar com faxas ondadas de prata e verde; o abrir e iluminar os edifícios de esmalte diferente daquele em que se representam os mesmos edifícios; o encimar as armas com coroas murais com um número de torres referente a categoria da terra que caracterizam; o quartear as bandeiras das cidades; o orlar os estandartes com cordões das cores dos mesmos; aconselhar que a haste e lança do estandarte seja de ouro ou de prata se estes metais existirem na composição das armas ou de madeira quando a composição não inclua metais. enfim, o avanço no estudo tem aperfeiçoado tanto quanto possível a heráldica de domínio.
Foi em Barcelos que existiu o solar dos Duques de Bragança, portanto as três torres cobertas que se veem ao centro das Armas locais, devem ser de ouro iluminadas de vermelho por aquele metal e esta cor serem os principais na heráldica.
A torre e a ermida pela razão de terem, perante o solar dos Duques de Bragança, uma importância secundaria, devem continuar a ser de prata mas, abertas e iluminadas de vermelho. A ponte que é um monumento de primeira grandeza para a vida local, deve ser de ouro. O Rio deve passar a ser de faxas ondadas de prata e de azul; a coroa mural deve ser de cinco torres de prata; o estandarte quarteado de vermelho e amarelo e a haste e lança de ouro visto que existe este esmalte na composição das Armas.
Temos pois que as Armas da Cidade de Barcelos devem ser assim ordenadas:
De azul com uma ponte de ouro ameada na guarda e formada de cinco arcos saintes de um contrachefe ondado de prata e de azul, acompanhada por uma torre quadrada e torreada de prata, aberta e iluminada de vermelho e por uma árvore de verde sainte de uma arca de prata e uma ermida com sua sineira do mesmo, aberta de vermelho. A ponte é encimada por três torres quadradas e cobertas de ouro, iluminadas de vermelho e saintes de um terrado também de ouro. Em chefe as Armas da Casa de Bragança acompanhadas por dois escudetes das quinas de Portugal. Bandeira quarteada de amarelo e de vermelho. Haste e lança de ouro. Cordões e borlas dos mesmos esmaltes. Coroa Mural de cinco torres.
Affonso de Dornellas.
(Texto adaptado à grafia actual)
Fonte: Processo do Município de Barcelos (arquivo digital da AAP, acervo “Fundo Comissão de Heráldica”, código referência PT/AAP/CH/BCL/UI0006/00059).

Primeira ordenação heráldica do brasão e bandeira
Segundo o parecer da Secção de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses de 30/04/1924
Armas - Escudo de azul, ponte de ouro ameiada na guarda e formada de cinco arcos saíntes de um contra-chefe ondado de prata e azul de cinco tiras, acompanhada à dextra por uma torre quadrada e torreada, de prata, aberta e frestada de vermelho e, à sinistra, por uma árvore de verde, saínte duma arca de prata e uma ermida com sua torre sineira do mesmo, aberta de vermelho; a ponte encimada por três torres quadradas e cobertas, de ouro, iluminadas de vermelho e saíntes de um terrado de ouro; em chefe, as armas da Casa de Bragança entre dois escudetes de prata, carregados cada um de cinco escudinhos de azul, em cruz, cada escudinho com cinco besantes de prata. Coroa mural de prata de cinco torres. Listel branco com os dizeres a negro: " BARCELOS ".


Bandeira - De branco.*

* Originalmente os brasões eram ordenados sem coroa mural, pelo facto de só em Junho de 1925 ter sido decidido que estes seriam coroados.
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Transcrição do parecer
Parecer aprovado pela Secção de Heráldica e de Genealogia da Associação dos Arqueólogos Portugueses em sessão de 28 de Maio de 1924, justificando o projecto das armas de Barcelos aprovado em sessão da mesma Secção efectuada em 30 de Abril do mesmo ano.
A antiga Barcelos quer ordenar o seu selo conforme as regras da heráldica pois que apesar de ter armas próprias há vários séculos, têm sido por vezes interpretadas com má representação das peças que as compõe.
Vejamos o que motivou este parecer:
- Barcelos, 17 de Julho de 1923. - nº 89 Exmo. Sr. Presidente da Associação dos Arqueólogos Portugueses. - Edifício Histórico do Carmo. - Lisboa. Tomo a liberdade de vir solicitar de douta Corporação a que V. Exa dignamente preside, parecer sobre o brasão de armas desta vila, tal como é hoje adoptado por este Câmara.
Envio junto os elementos que me foi possível reunir e que podem servir de base ao estudo a fazer. Durante muito tempo foi usado em documentos e no selo branco da Câmara um brasão que tinha á direita do escudo as armas nacionais e á esquerda as da vila, tal como se vê na gravura número 1. Por vezes usou-se também o escudo representado na gravura nº 2 e que é o brasão que se encontra registado no arquivo nacional da Torre do Tombo. Modernamente, porém, foi encontrada a pedra de armas representada na capa da brochura junta e que tem o nº 3.
Desde logo foi este brasão reconhecido como o autêntico da vila de Barcelos é mais antigo. Em 1920 cuidou a Câmara de mandar elaborar o brasão definitivo de Barcelos, baseado nesta pedra.
Foi encarregado d'esse trabalho o distinto pintor do Porto Sr. Cândido da Cunha que consultou sobre a parte heráldica o ilustre escritor Sr. Joaquim de Vasconcelos. Não ficou, ainda assim, o novo brasão isento de censuras. A maior que se lhe faz é a da adoção da coroa de conde. Justificaram-na as pessoas que estudaram o assunto pelo motivo de ter sido um Conde o primeiro donatário de Barcelos e pela conveniência estética de pôr um remate no escudo. Eis o principal motivo porque submeto á apreciação de V. Exas. o exame do brasão de Barcelos, tal como é hoje adoptado (gravura nº 4). Permita-me chamar a atenção de V. Exa para a página 29 da brochura do Sr. Joaquim Leitão em que está descrita a pedra que serviu de base ao recente trabalho. Agradeço desde já a atenção de V. Exas por este assunto e fico aguardando os concelhos e elucidação que V. Exas se dignem prestar-me. Saúde e Fraternidade. O Presidente da Comissão Executiva (a) Miguel.......
Acompanhava este ofício um folheto intitulado "Barcelos - Guia Ilustrado” por Joaquim Leitão. Empresa Editora do Guia Ilustrado de Portugal. - 1908. Tipografia da Empresa Literária e Tipográfica, Rua de D. Pedro, 184. - Porto.
Em 8 de Novembro seguinte, respondeu a Associação dos Arqueólogos dizendo que iria ser o assunto estudado com a possível brevidade de que em tempo oportuno se daria conhecimento.
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Primeiro do que tudo e já que o Ilustre Presidente da Comissão Executiva da Câmara Municipal de Barcelos, nos enviou tão precisos elementos sobre as variantes que oficialmente foram usadas no selo da mesma Vila, vou apreciar essas variantes.
A gravura nº 1, apresenta-nos a reprodução dum selo como geralmente eram usados os das Misericórdias. É em forma de coração, encimado por uma Coroa Real e cercado de ornatos. O escudo é partido das Armas de Portugal e das armas de Barcelos que apresentam uma ponte de um só arco, na qual se sustém uma árvore acompanhada de uma torre e de qualquer coisa que naturalmente quer representar a Ermida e no chefe três pequenos escudetes em roquete devendo o superior representar as armas dos Duques de Bragança. Os outros dois são apenas duas das cinco quinas das armas nacionais e não dois escudetes das quinas como devia ser.
As Misericórdias têm geralmente por armas, um escudo partido das Armas Nacionais e das insígnias das Misericórdias, ou da junção de dois escudos com as mesmas armas e insígnias.
Este escudo ou grupo de escudos era sempre encimado por uma Coroa Real por as Misericórdias serem uma Instituição fundada no tempo do Rei D. Manuel I.
Ou a Misericórdia de Barcelos, usou estas armas tais como se veem representadas na gravura nº 1 e depois foram aproveitadas pela Câmara Municipal, ou a Câmara Municipal adaptou a forma do escudo da Misericórdia substituindo-lhe o 2º do partido pelas armas da Vila.
De qualquer destas formas, ou fosse porque circunstância fosse, foi a errada interpretação da Câmara de Barcelos sobre a forma e disposição das Armas que devia adoptar.
Os Municípios são de administração autónoma, absolutamente independente, não podendo, sem agravo para as suas liberdades populares, adoptar a Coroa Real que era o símbolo do Chefe do poder Central.
O usar a Coroa Real nas Armas de um Concelho, é abdicar por completo dos direitos de liberdade e autonomia de que gozam os Municípios, quer dizer era a demonstração de uma sujeição ao Poder Central, que de facto não tinham.
Igualmente é incorrer nas mesmas circunstâncias o partir as armas de um Município, com as Armas Nacionais.
Quando haja de num selo Municipal fazer referência ao escudo Nacional, inclui-se na composição das armas, colocando-o em chefe, como lugar de honra e para indicar qualquer facto histórico da Concelho pois que o selo do Concelho caracteriza o seu domínio e compõe-se de elementos apenas da sua história local.
Não devem portanto, ser usadas como armas de Barcelos, as representadas na gravura nº 1.
As armas representadas sob nº 2, são cópia das que se encontram desenhadas em qualquer das coleções existentes no arquivo da Torre do Tombo e que talvez fossem copiadas por I. de Vilhena Barbosa para a sua obra "As Cidades e Villas da Monarchia Portugueza que teem brazão d'armas". Lisboa 1865, que o "Portugal Dicionario Historico, Biographico, Bibliographico, Heraldico, etc”. Lisboa 1906 também copiou e que outros muitos têm copiado.
Terá porém de se notar que na Torre do Tombo não há qualquer registo oficial de Armas de domínio, o que lá há são coleções de cópias de armas de Cidades e Villas, feitas por pessoas que as colecionaram e não como elementos de consideração.
Estas armas representadas sob nº 2, que também deixaram de ser usadas pelo Município de Barcelos, além de estarem mal ordenados heraldicamente, alteram a ideia de quem primitivamente as construiu porque repete o que está na figura 1 com referência à árvore que nos aparece sainte da ponte e acompanha a mesma árvore com duas torres.
A ponte aqui já tem três arcos quando na figura 1 apenas tem um e é substituída a Ermida por uma torre.
Enfim aparenta de aperfeiçoamento, mas prejudica a ideia inicial.
A figura nº 3 é que satisfaz por completo os desejos de qualquer heraldista. É uma peça de arqueologia artística muito interessante e digna de figurar em qualquer Museu.
É toda a história da Vila de Barcelos reedificada por D. Afonso, filho legitimado de D. João I, que recebeu Barcelos das mãos de seu sogro o grande D. Nuno Alvares Pereira, como dote do seu casamento, em 8 de Novembro de 1401 com D. Beatriz filha do célebre condestável.
D. Afonso, que foi Conde de Barcelos e Duque de Bragança e progenitor da Histórica Casa de Bragança, construiu-lhe torres e muralhas, edificou uma casa forte para sua residência, ligou Barcelos com Barcelinhos por uma ponte de cinco arcos, enfim deu grande desenvolvimento á Vila.
O brasão representado na figura 3, inclui esses importantes melhoramentos, sendo até respeitada em parte a situação dessas edificações.
Primeiro uma Torre, depois a ponte e a seguir a Ermida com a sua arquitetura muito bem definida. Entre a ponte e a Ermida há uma árvore.
Num plano superior, um edifício murado sainte de um terrado bem distinto.
São estas as principais construções feitas pelo Conde de Barcelos D. Afonso, progenitor da Casa de Bragança.
A árvore aqui também tem a sua significação como julgo ter interpretado.
Próximo do Palácio do Conde D. Afonso, em Barcelos, a poucos passos de distância, existe ainda hoje um sumptuoso edifício com várias armas de família e várias inscrições, que é o solar da família Pinheiro que teve grande importância no Século XV, pois foram Alcaides Mores da mesma Vila e desempenharam altos cargos na Casa dos Condes de Barcelos e Duques de Bragança.
Esta casa, como lá se vê numa das inscrições, foi construída pelo Dr. Pedro Esteves em 1448. É interessante notar que este Dr. Pedro Esteves não colocou quaisquer armas de família na casa que edificou, ou então se colocou foram substituídas, pois que as mais antigas armas que ali aparecem, são mandadas pôr pelo filho, Álvaro Pires Pinheiro Lobo.
Estas quatro chaves estão ligadas entre si por um fio que passa pelas suas argolas.
Na Armaria Portuguesa há chaves nas armas das famílias:
Argolo que tem duas chaves adossadas.
Chaves (de Álvaro Lopes)
Chaves (outros da mesma origem)
Chaves (de Espanha), os quais todos têm cinco chaves postas em santor com seus palhetões montantes
Cogominhos com cinco chaves mouriscas na mesma posição
Garcez com duas chaves passadas em aspa e atadas
Nevia com cinco chaves em sauter com os seus palhetões montantes.
As chaves na armaria, indicam poder, serviços prestados na guarda e defesa de fronteiras ou castelos e exercício de altos cargos financeiros. Ora o Dr. Pedro Esteves na Casa dos Conde de Barcelos e Duque de Bragança, foi Ouvidor das quatro Ouvidorias da mesma Casa, Condel-Mor da Comarca de Guimarães e Vedor das obras do Paço e Fortalezas de entre Douro e Minho.
Pessoa da maior confiança da Casa de Barcelos, não adoptaria as chaves por tal motivo? É muito natural.
Casou o Dr. Pedro Esteves com D. Isabel Pinheiro filha de Martins Lopes Lobo, e de sua mulher D. Mayor Esteves Pinheiro da família Pinheiro, Senhores da casa e torre de Outiz no termo de Barcelos.
Apesar do Dr. António Miguel da Costa Almeida Ferraz, de Barcelos, ter procurado pôr a claro a origem dos Pinheiros de Barcelos, num de desenvolvido artigo publicado no Dicionario Portugal, há ainda muito a estudar sobre esta origem pois aparece-nos um alcaide mor de Barcelos no tempo de D. Affonso, Conde de Barcelos, alcaide que se chamava Tristão Gomes Pinheiro e que dirigiu as obras que o mesmo Conde fez em Barcelos, ou seja a ponte, as fortalezas, etc.
O filho do Dr. Pedro Esteves foi Álvaro Pires Pinheiro Lobo que também foi Alcaide mor de Barcelos.
Enfim, o meu argumento é que a árvore que figura no Brasão de Barcelos, pode muito bem ser que represente um pinheiro como alusão ao alcaide mor de Barcelos ou ao mestre das obras que se veem representadas nas mesmas armas, pode representar o facto de D. Afonso ser o progenitor da Casa de Bragança, ou se se poder verificar bem que espécie de árvore é, e se for uma Pereira o que talvez se possa ver se tiver algum fruto, representará como peça falante, D. Beatriz Pereira sua mulher, como se vê no tumulo desta senhora em Vila do Conde no Convento de Santa Clara em que existem repetidas, árvores carregadas de pêras entre escudos de armas partidas de Bragança e de Pereira.
Ainda pode muito bem ser que o Conde D. Afonso além das edificações que fez e que o autor das armas teve o cuidado de indicar nas mesmas, também tivesse feito alguma plantação importante por isso esteja ali indicada a árvore.
Houve com certeza um motivo forte para que a árvore ali figure, notando-se ainda que essa árvore nem está arrancada nem sainte de qualquer terrado, sai bem salientemente duma arca absolutamente separada da ponte e da ermida, parecendo que houve o desejo de indicar bem que a referência é a uma única árvore.
As armas representadas na gravura nº 4, apesar de no elucidativo ofício do Ilustre Presidente da Comissão Executiva da Câmara Municipal de Barcelos, se dizer, que foram estudadas pelo pintor Portuense, Sr. Cândido da Cunha e pelo Erudito Escritor Sr. Joaquim de Vasconcelos, são as que estão mais mal ordenadas e até mutiladas.
A ponte tem cinco arcos, mas nas armas representadas sobre o nº 4, os dois arcos dos extremos da ponte estão cortados.
A torre está cortada ao meio e a ermida também.
Quer dizer, são peças moventes como se diz em heráldica, por deixarem invisível uma parte do seu todo que é o que sucedeu nas armas de Barcelos, estragadas pelo pintor Sr. Cândido da Cunha e pelo Ilustre escritor Sr. Joaquim de Vasconcelos.
A colocação então da Coroa sobre as armas, vem completar o desastre.
As coroas inventaram-se para se porem na cabeça da pessoa que tinha o direito a usar esse distintivo.
Os distintivos da Nobreza são as armas de família e as coroas.
As armas das Cidades ou das Villas, não são distintivos de Nobreza, são a bandeira e o selo que caracterizam as povoações.
Os Romanos, aos seus heróis que primeiro entravam as fortalezas que assaltavam davam-lhe uma coroa em forma de fortaleza, com torres e panos de muralha ameada.
O grande Napoleão, no seu Código heráldico, dava a mesma coroa para remate das armas das cidades que eram cercadas de muralhas e de torres.
É esta a razão porque de facto algumas cidades sem serem Francesas, usam esta coroa, desde que, já se vê, sejam muradas.
Agora uma coroa de Conde nas armas da Vila de Barcelos, é que demonstra o desconhecimento do que significam as coroas e do motivo das armas de domínio.
Quem ordenou as armas representadas na figura 3, sabia muito melhor ordenar brasões como demonstra pela forma que ordenou o de Barcelos. Colocou-lhe em chefe as armas da Casa de Bragança que não encimou pela coroa de Conde ou de Duque porque o não quis fazer.
Era ali, no chefe das armas que no escudo dos Braganças se poderia pôr a coroa que os Srs. Cândido da Cunha e Joaquim de Vasconcelos puseram encimando as armas.
Na carta do Sr. Presidente da Comissão Executiva da Câmara Municipal de Barcelos diz-se que aqueles Srs. alegaram que propunham a colocação da Coroa de Conde, por o primeiro donatário de Barcelos ter sido um Conde e pela conveniência estética de pôr um remate no escudo.
Em face destes dois motivos, suspende-se a ciência heráldica e faz-se qualquer coisa.
Quando seja necessário arrematar quaisquer armas, para obedecer a uma certa e determinada estética, ornamentam-se as armas mas com qualquer coisa que não brigue com a heráldica, mas umas armas nunca necessitam que se lhe coloque qualquer coisa para remate, um escudo é apenas um escudo e não um escudo e mais um remate.
Já portanto nos referimos aos inconvenientes do uso das armas representadas sob o nº 1, sob o nº 2 e sob o nº 4, assim como também nos referimos ao direito e obrigação que há em adoptar unicamente as representadas sob nº 3 por serem tão antigas, dando-lhe a forma de um escudo, pois que a pedra encontrada em escavações em frente da Câmara, representava com certeza a bandeira da Vila e os ornatos que tem em volta nada significam senão a tal necessidade de obedecer á estética, que naqueles tempos se limitou para estas armas, a uns ornatos com certa tendência para o que nós agora chamamos "Arte Nova".
A páginas 29 do referido "Guia Ilustrado de Barcelos" pelo ilustre académico Sr. Joaquim Leitão, diz-se:
- "O Brasão de Barcelos tem padecido verdadeiras detrações, cuja "história é simples e hoje apurada: encomendando os Senhores da Câmara um sinete em que desejavam figurasse as amas de Portugal e o brasão de Barcelos, o gravador, como não dispusesse de espaço bastante para os dois signos, não esteve com meias medidas; traçou um escudo, partiu-o ao meio, como uma dona de casa de hóspedes repartindo um salão em dois quartos de tabique, e dum lado inscreveu as armas do Rei no, do outro as de Barcelos, e estas, mesmo assim, assaz modificadas. Do sinete passou o hibridismo para a fundição de candeeiros de iluminação publica aonde o foram buscar para modelo do brasão de pedra de uma das torres (a do poente) dos Paços do Concelho, e para a decoração do teto do salão nobre do edifício.
Estancou o disparate o bom entendimento do Dr. Augusto Monteiro, quando presidente da Câmara, a quem a competência do Dr. Ferraz expôs a deturpação de que andava sendo vítima, o inocente brasão de Barcelos; e tanto bastou para que o Dr. Augusto Monteiro mandasse lavrar o brasão que ia erigir-se em outra torre, conforme as indicações do Dr. Ferraz que forneceu a cópia do que a Torre do Tombo (“Cidades e Villas com Brazão”, por Ignacio Vilhena Barbosa) autenticou mas que ainda não era o autêntico.
Foi meses depois que o acaso um dos melhores servidores do historiador e do arqueólogo fez encontrar a autêntica pedra de armas de Barcelos, desenterrando de uma entulheira, removida no terreno da Câmara, uma primitiva pedra em que, bem conservada, se lê toda a letra do brasão barcelense e que vem a ser: Um escudo em três ordens; no fundo dele um rio - O Cávado - com uma ponte de cinco olhos e ameada nas guardas- tal qual era a ponte primitiva que ligava Barcelos a Barcelinhos -,no principio da ponte uma torre e no fim dela uma ermida e um carvalho - a ermida da Sra. da Ponte e o Carvalho, seculares pórticos de Barcelinhos; no meio do escudo três torres, postas em fileira, mais pequenas que a primeira - símbolo das 4 torres que estavam na muralha barcelense no século XVI no alto do escudo três escudetes dispostos em fileira e do meio com uma cruz, em aspa, armas dos Pereiras, os dons dos lados com as quinas do Reino. Este brasão, que até pelo número dos olhos (arcos) da ponte mostra indiscutível e comprovadamente ser o autêntico, é o que deixamos arquivado numa das nossas fotogravuras, florindo com a sua graça a nossa capa e glorificando o grande valor e a grande intenção arqueológica do nosso provecto amigo e ilustre confrade Dr. António Ferraz, um dos barcelenses ilustres da actualidade, bem como a probidade atenta e o bom sentimento de acertar do carácter e do talento do Dr. Augusto Monteiro".
Permita-me o Exmo. Sr. Joaquim Leitão, meu ilustre colega na Academia das Ciências de Lisboa, que lhe diga que há aqui uma grande confusão nestas referências e descrição das armas de Barcelos.
Começa V. Exª por dizer que - O Brasão de Barcelos tem padecido verdadeiras detrações - Parece-me porém que "detração”, não é bem dito, porque detrair quer dizer, depreciar, difamar, desonrar, diminuir o crédito, quando o que se tem dado com as armas de Barcelos é o contrário.
As pessoas que olharam para a pedra velha das armas de Barcelos, o que quiseram fazer foi tornar-lhe as diferentes peças mais harmónicas com a arquitetura com que mais simpatizavam, fazer as armas mais bonitas.
Assim, na figura 1, puseram-lhe só um arco na ponte mas em compensação plantaram-lhe uma árvore ao meio da mesma ponte. Da torre e da ermida quiseram fazer uma coisa tão bonita que nem se sabe o que é, mas como queriam as armas de Barcelos revestidas da maior nobreza, puseram-lhe ao lado as armas de Portugal encimando este conjunto, nada menos do que uma Coroa Real.
As representadas na figura 2 tem uma ponte de três arcos com a mesma árvore sainte da ponte, árvore que está acompanhada de duas torres.
A ermida nestas armas, desapareceu.
As representadas na figura 4, para a confeção das quais foram consultadas duas autoridades, sofreram então vários tratos, mas tudo por bem e para bem.
Já lá puseram metade da ermida, mas em compensação cortaram metade ao castelo e felizmente foram restaurados os Paços dos Condes de Barcelos que tinham desaparecido nas armas anteriores.
Depois encimaram estas armas com a coroa de Conde.
Não foi portanto detrair o que fizeram os diferentes heraldistas que tomaram a sua conta as armas de Barcelos, foi "deturpar", quer dizer, desfiguraram, estragaram as armas de Barcelos.
Até o Sr. Joaquim Leitão o deturpou na sua descrição. Se apenas tivesse apresentado a fotogravura, tinha prestado um grande serviço, mas descrevendo-o como a descreveu, apenas veio espalhar mais uma deturpação das armas de Barcelos.
Na Torre do Tombo não há qualquer registo oficial ou enfim qualquer documento que estabeleça ou determine como devem ser as armas de Barcelos ou de qualquer outra terra.
Existem ali Álbuns onde quaisquer curiosos aguarelaram as armas das diferentes terras por terem informação dessas terras da forma das armas que usavam.
As armas de domínio, são e sempre foram apenas ordenadas pelas autoridades locais e não por uma autoridade do Poder Central que nada tinha com isso.
O Poder Central apenas dava o Foral, e desde que qualquer povoação tivesse este documento, tratava de organizar unicamente com elementos da história local, um selo para autenticar as deliberações do Município ou enfim da autoridade que mandava na povoação a que tinha sido dado o Foral. O poderem os Municípios ter selo, concessão que lhe era feita no Foral, era a permissão para fazerem leis para o Governo do seu domínio. O selo autenticava essas leis.
Portanto nada há na Torre do Tombo que tenha o menor valor como autoridade sobre a ordenação das armas de domínio.
Já não sucede porém a mesma coisa com as armas de Família, para estas é que na Torre do Tombo há elementos deliberativos por existirem uns registos mandados fazer propositadamente para servirem de lei aos Reis d'Armas. Mas só para as armas de Família.
Quem não conhece porém esta arte ou ciência de heráldica, confunde tudo e julga que se podem pôr cordas encimando armas de domínio, que as coleções de brasões desenhados ou aguarelados por curiosos que se encontram na Torre do Tombo são leis, etc.
Ignacio de Vilhena Barbosa dedicou-se ao estudo das armas de domínio, quando pela aclamação do Rei D. Pedro V, em 15 de Novembro de 1853, apareceram na ornamentação do Terreiro do Paço, as armas das Cidades e Vilas Portuguesas.
O aparecimento destas armas em conjunto, deu motivo a grande discussão sobre algumas e sobre muitos erros supostos que foram notados pelas pessoas naturais das diferentes terras e que conheciam o selo das suas terras.
Ignacio de Vilhena Barbosa, dedicou-se então a colecionar as armas e as lendas respectivas e a pedido de dois jornais de Lisboa, publicou uns elementos sobre cada brasão conforme os colheu e principalmente conforme lh'os enviavam das diferentes Câmaras Municipais. Não era um heraldista nem disso tinha pretensão. Era o que vulgarmente se chama um curioso.
Depois publicou esses estudos em Livro, saindo em 1865 com o título "As Cidades e Villas da Monarchia Portugueza que teem brazão d'armas", o que foi um grande serviço pois que assim temos uma grande coleção de armas de domínio reunidas.
Ora estas referências são por causa do Sr. Joaquim Leitão dizer que o Dr. António Miguel da Costa Almeida Ferraz = forneceu cópia do que a Torre do Tombo (Cidades e Villas com Brazão, por Ignacio Vilhena Barbosa) autenticou mas que ainda não era o autêntico.
Parece portanto que entre "Torre do Tombo" e "Vilhena Barbosa", há qualquer relação, o que não sucede, salvo se é para dizer que Vilhena Barbosa copiou algumas armas de domínio que existam nos tais Álbuns da Torre do Tombo.
Em fim é uma confusão o que o Sr. Joaquim Leitão fez com as armas de Barcelos e que eu tentarei desfazer continuando a analisar.
O Sr. Joaquim Leitão depois de dizer que os Sr. Dr. Augusto Monteiro e Dr. Ferraz, consideravam autênticas as armas que afinal não eram autênticas, descreve como o feliz acaso fez descobrir as autênticas armas de Barcelos.
Estavam numa entulheira do terreno da Câmara.
Deve ser exactamente esta pedra de armas representada pela figura 3, que se encontrava na torre da Casa da Câmara, conforme nos diz António de Vilasboas e Sampaio na monografia de Barcelos que inclui na sua conhecida obra "Nobiliarchia Portugueza". Tratado da Nobreza hereditária e política", a páginas 89 da 1ª edição, Lisboa 1676.
Vejamos outra vez como o Sr. Joaquim Leitão descreve a referida pedra de armas.
“Um escudo em três ordens; no fundo dele um rio - o Cávado - com uma ponte de cinco olhos e ameada nas guardas tal qual era a ponte primitiva que ligava Barcelos a Barcelinhos -, no princípio da ponte una torre e no fim dela uma ermida e um carvalho - a ermida da Sra. da Ponte e o carvalho, seculares pórticos de Barcelinhos e no meio do escudo três torres, postas em fileira, mais pequenas que a primeira - símbolo das 4 torres que atavam a muralha barcelense no século XVI. No alto do escudo três escudetes dispostos em fileira, o do meio com uma cruz em aspa, armas dos Pereiras, os dons dos lados com as quinas do Reino.”
Em fim, que se desconheça a forma normalmente usada para descrever as peças heráldicas e as suas posições, vá, mas referindo-se ao escudete do centro do chefe, frisar que tem uma cruz em aspa e dar como confirmação que esse escudete constitui as armas dos Pereiras, é que não tem a menor desculpa.
Seriam da mesma opinião o Dr. Augusto Monteiro e o Dr. Ferraz?
Não é este estudo evidentemente uma critica aos conhecimentos ou opiniões seja de quem for, mas se não se fizer referência detalhada a todos estes casos, na primeira oportunidade, quem consultar a opinião do Sr. Joaquim Leitão, de Ignacio Vilhena Barbosa, do Dicionário Portugal, ou enfim do que acima fica citado e do mais que aparecer, fica na dúvida de quem terá razão e é por este motivo que eu exponho as deficiências do que há dito sobre o assunto e tento demonstrar os erros que têm corrido mundo.
Vejamos como são as armas dos Pereiras:
- De vermelho com uma cruz de prata florenciada e vazia. -
Cruz em heráldica, é a sexta das peças honrosas de primeira ordem e é formada pela sobreposição da pala e da faxa. Diz-se cruz florenciada ou floretada quando os seus braços terminam em flores de lis.
A cruz dos Pereiras é uma cruz florenciada ou floretada.
Esta cruz que se encontra em muitas armas portuguesas e espanholas, foi adoptada pelos cavaleiros que entraram na Batalha das Navas de Tolosa. Reza a lenda que durante esta batalha, aparecera no céu uma cruz semelhante á de Calatrava. Daqui o ter sido adoptado por grande número de cavaleiros.
Aspa em heráldica é a sétima na ordem das peças honrosas de primeira ordem sendo formada pela sobreposição da banda e da contra banda e ocupa todo o escudo firmando-se nos ângulos.
A aspa é também conhecida pelo nome de Cruz de Santo André e é em forma de X, ou formada por peças diagonais.
É uma peça heráldica muito conhecida na amaria portuguesa e espanhola e foi adoptada pelos cavaleiros que entraram na tomada de Alarcón em 30 de Novembro de 1176 e na tomada de Baeza em igual dia de 1227 e alusiva ao instrumento de martírio de Santo André cuja festa de igreja é em 30 de Novembro, dia em que se efectuaram aquelas batalhas.
Ora o que está no escudete do centro do chefe das armas de Barcelos é a Aspa ou Cruz de Santo André e não a Cruz dos Pereiras que é uma Cruz formada por uma peça vertical e outra horizontal.
Vejamos porque se encontra ali aquele escudete:
D. Afonso, 9º Conde de Barcelos e 1º Duque de Bragança, quando veio da tomada de Ceuta, em 21 de Agosto de 1414, tomou por armas "uma aspa vermelha em campo de prata, e sobre a aspa cinco escudos das quinas do Reino sem a orladura dos castelos; por timbre meio cavalo branco com três laçadas no pescoço em sangue, bridado de ouro, com cabeçadas e rédeas de vermelho = conforme a páginas 213 da referida edição da Nobiliarchia Portugueza, diz, António de Vilasboas e Sampaio.
As armas originárias dos Condes e Duques de Barcelos e Duques de Bragança, são portanto:
- De prata, com uma aspa de vermelho, carrega de cinco escudetes de Portugal Antigo. –
É este escudo que se encontra nas armas de Barcelos e não as dos Pereiras.
Corre fama porém, de que a pedra de armas em questão, a nº 3 referida, aquela que esteve na Torre da Câmara e que há pouco foi encontrada junto a mesma Câmara, foi mandada fazer ou é do tempo do Conde de Barcelos D. Afonso, filho legitimado de D. João I. Mas é engano, não é tal desse tempo.
D. Afonso, 9º Conde de Barcelos e 1º Duque de Bragança, morreu em Dezembro de 1461, sendo Rei de Portugal D. Afonso V que morreu em Agosto de 1481 sucedendo-lhe D. João II.
Este Rei por sua lei de Junho de 1485, mandou tirar a Cruz de Avis e tornar pendentes os dois escudetes laterais das armas portuguesas pois que até aí estavam apontados ao centro, ora a referida pedra de armas de Barcelos apresenta dois escudetes de Portugal com as cinco quinas todas pendentes portanto foi a mesma pedra esculpida com certeza muito depois atendendo a que esta nova moda do escudo português, devia ter chegado um pouco vagarosamente a Barcelos.
Esta pedra deve portanto ser do Século XVI e não da primeira metade do Século XV como parecia.
Há outro facto ainda a notar na escultura desta pedra, é que apresenta erradas as armas dos Duques de Bragança.
Acima referi-me ao que dizia Vilasboas na sua Nobiliarchia sobre as armas dos Duques de Bragança, que o Conde de Barcelos, D. Affonso, 1º Duque de Bragança, quando veio de Ceuta em 1415, como era filho ilegítimo do Rei, adoptou as quinas de Portugal transtornadas na sua disposição, como outros filhos legitimados dos Reis, fizeram.
As armas que adoptou, foram:
- De prata, com uma aspa de vermelho, carregada de cinco escudetes de Portugal Antigo -.
Sucedeu porém que mais tarde, mas muito mais tarde, erradamente vários membros da família dos Duques de Bragança, aplicaram a este escudo a bordadura dos castelos o que acabou por desaparecer por reconhecerem que era um erro, ou por outro, que não tinham sido assim criados.
Ora a pedra de armas em questão, apresenta as armas dos Duques de Bragança com uma bordadura, portanto não é tão "autêntica" como alguns estudiosos do assunto acima citados querem que seja, se fosse mandada fazer por D. Affnso não teria a bordadura.
Ainda as armas dos Duques de Bragança foram erradamente usadas de outra forma. Em lugar dos escudetes das quinas carregando a aspa usaram carregando a mesma aspa escudos completos com bordadura carregada de castelos como se vê por exemplo no túmulo de D. Beatriz Pereira, mulher de D. Afonso, túmulo que existe em Vila do Conde onde a bordadura ali figura com 6 castelos.
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Agora portanto que Barcelos quer ordenar heraldicamente as suas armas, a Secção de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses, aconselha a respectiva Câmara Municipal que ao mandar bordar, gravar ou esculpir as armas de Barcelos, não deixe incluir a referida bordadura que afinal é apenas um argumento para demonstrar que a mesma pedra de armas não só não foi feita no tempo de D. Affonso, como foi feita por quem não conhecia nitidamente as armas dos Duques de Bragança que tão vulgares são.
Sobre este caso é interessante consultar a notável obra "Armorial Portuguez" de G.L. dos Santos Ferreira. Lisboa 1920, a páginas 59 e 263 (nota) do 1º Volume e a páginas 22 e 90 do Volume 22.
Ficando por aqui, na apreciação do que apareceu para estudo das armas de Barcelos, vou tratar dos esmaltes e metais que, em conformidade com as regras de heráldica devem ter as mesmas armas.
Já ficou demonstrado que das armas de Barcelos consta a representação das construções que o filho legitimado de D. João I, o 9º Conde de Barcelos, D. Afonso, ali mandou fazer.
Vilasboas e Sampaio na referida página 89 da sua Nobiliarchia diz sobre isto:
“D. Affonso primeiro Duque de Bragança, e Conde desta Vila, a enobreceu com muros, ponte e paços, que ali tem os Duques, obra majestosa em toda a idade; e também se lhe deve a Igreja Matriz e Colegiada, que fundou, confirmada pelo Pontífice Paulo II, ano de 1474 com mais grossas rendas do que hoje possuem as dignidades dela, por quanto por autoridade Apostólica, se aplicaram muita parte delas para os beneficiados da Capela de Vila Viçosa. O mesmo Duque lhe deu armas, que hoje se veem na torre da Casa da Câmara, e são, em escudo, a ponte, torre e ermida com um carvalho a porta, e por cima em faxa três escudos pequenos, dois com as quinas do Reino e o do meio com uma aspa, que era a Divisa do Duque, como já fica dito, e a deu por favor particular a esta Vila.”
Também há alguma coisa que dizer a esta descrição o que de facto triste, pois que tendo já citado tantas pessoas que se têm referido a estas armas, todas têm cometido faltas.
Vilasboas suprime-lhe a representarão do Paços e diz que o carvalho está à porta da Ermida quando não está. Referindo-se as armas dos Braganças suprime-lhe os cinco escudetes de Portugal com que a aspa é carregada, como descreve a páginas 213.
Vamos a ver portanto se nós brasonamos estas armas um pouco mais acertadamente.
O campo, já de longa data vem indicado que seja de azul conforme se vê nas representações das figuras 1,2 e 4 e conforme indicam Vilhena Barbosa e outros.
Está de facto bem escolhida esta cor, pois é a segunda entre as cores heráldicas e era dada para premiar as qualidades de nobreza como o zelo e caridade e a lealdade. De facto está bem para Barcelos.
A cor de primeira ordem é o vermelho que se destinava a premiar os casos de guerra, de vitórias e de subtilezas nos ardis, portanto não tem relação com a vida de Barcelos que apesar de ter sempre concorrido com muita gente para as guerras, nunca as suas muralhas foram bombardeadas e não tem castelo de tempos remotos.
O Paço a torre, a ermida e a ponte deverão ser de prata.
As edificações são sempre de metais e só se representam de ouro quando por exemplo constem de um castelo que sofreu assaltos e cercos ou de uma torre ou outra construção que resistiu a muitas guerras ou assaltos.
Já acima me referi á árvore que se vê nas armas. Seria um pinheiro como alusão aos Vedores das obras da Casa de Bragança que se chamavam pinheiros?
Diz Vilasboas e Sampaio e o Sr. Joaquim Leitão que é um carvalho.
Será? Como alusão á progenitura da Casa de Bragança?
Será uma Pereira como aparece no túmulo de D. Beatriz Pereira?
De facto à saída da ponte e entrando em Barcelinhos está lá um secular carvalho. Existirá ali uma árvore desta espécie desde a fundação da Ermida?
O que não pode haver dúvidas é que a árvore indicada nas armas representa um único exemplar pois que está sainte de uma arca.
Na descrição das armas, não definiremos que seja Pinheiro ou Carvalho. Será uma árvore como sucede muitas vezes descrever-se em armas de famílias.
Em face de tudo isto proporemos portanto que as Armas de Barcelos sejam:
= De azul com uma ponte de prata de 7 ameias na guarda e formada de 5 arcos, sainte de um contrachefe ondado de prata e azul, acompanhada por uma torre quadrada e torreada de prata e por uma árvore de sua cor sainte de uma arca de prata e uma ermida com sua sineira do mesmo.
A ponte é encimada por três torres quadradas e cobertas de prata saintes de um terrado de sua cor. Em chefe o escudete da casa de Bragança acompanhado por dois escudetes das quinas de Portugal. =
Como as peças principais são de prata, a bandeira de Barcelos deve ser branca.
Como esclarecimento direi que se chama torre torreada quando a torre é constituída por dois corpos sobrepostos e divididos por um parapeito e, chama-se escudete sem que seja diminutivo de escudo, ao escudo que figura como peça móvel na composição de quaisquer armas, como sucede nas armas de Barcelos.
[Affonso de Dornellas.]
(Texto adaptado à grafia actual)
Fonte: Processo do Município de Barcelos (arquivo digital da AAP, acervo “Fundo Comissão de Heráldica”, código referência PT/AAP/CH/BCL/UI0006/00059).

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